CONSTELAÇÃO LAGOINHA

BELO HORIZONTE/MG - 2019

Série de ilustrações que representam aspectos sociais, culturais, arquitetônicos e principalmente futurísticos sobre o icônico bairro Lagoinha em Belo Horizonte.

Os trabalhos podem ser vistos na ÓRBI CONECTA, e foi realizado em parceria com a POMME e o publicitário Filipe Thales do VIVA LAGOINHA.

Autor: Pico

Projeto Gráfico: 20 ilustrações

Data: maio de 2019 - BH/MG

Dimensões: 20 x 30 cm

Técnica: Lápis de cor e programas de edição de imagem

 

CONSTELAÇÃO LAGOINHA - O que existe em órbita na Lagoinha?

Texto de Filipe Thales    

 

O bairro que deu origem ao carinhoso apelido Copo Lagoinha, nome dado pelos belo-horizontinos ao tradicional copo americano, não poderia ser um lugar quieto.

 

Antes da construção do complexo ferro rodoviário na década de 1980, a Lagoinha estava integrada ao centro de Belo Horizonte, com seu comércio agitado, os botequins sempre abertos e cheios, suas pensões, o ribeirão Arrudas, o mercado, farmácias, camelôs, delegacias, o barulho do trem do subúrbio e os cinemas Paisandu e São Geraldo, além da ligação com a atual rodoviária, onde também situavam a Feira de amostras e a Rádio Inconfidência.

 

O rompimento do eixo centro-bairro com a construção do Complexo ferro-viário marcou o início de uma fase de degradação e falta de investimentos na preservação do seu patrimônio, cultura, esporte, segurança e entretenimento. O resultado desse processo de abandono é a alcunha de "Cracolândia de Belo Horizonte".

 

Em meados de 2007, impulsionada por corpos que percorrem outros influenciados pela força da mudança, a Lagoinha entra numa órbita diferente.

Influenciados pela ancestralidade, a turma da turma, ao conhecer a origem das pedras que construíram a cidade, aprenderam com os afronautas griôs a se comunicarem de coração pra coração e partir daí começam a conectar pessoas que acreditam no poder da resiliência e enxergam aqui muito mais oportunidades e riquezas que um olhar superficial pode identificar.

  

Lugar acolhedor

 

A região da Lagoinha é um grupo de estrelas próximas umas das outras, e que, ligadas por linhas imaginárias, são diferentes e se distinguem por nomes especiais como Bonfim, Carlos Prates, São Cristóvão (Conjunto IAPI), Pedreira Prado Lopes, Vila Senhor dos Passos (Buraco Quente), Santo André, Concórdia, Colégio Batista, Centro e Lagoinha.

 

Divida entre as regionais centro-sul, noroeste e nordeste, o Complexo da Lagoinha além da história construção da cidade, ela carrega modos de vida bem peculiares. A essência da Lagoinha é acolher tudo e todes, dos imigrantes Italianos aos remanescentes de quilombos da região central de Minas, das que tem o dom de trabalhos manuais, aos intelectuais que registram em livros suas vivencias aqui, dos que estão aqui a muito tempo a você, que habita essa nave chamada Orbi Conecta.
 

Lagoinha da Gente

(Agente ambiental, Bondinho, Samba, Leão, Bumbará)

 

A Lagoinha é a grande encruzilhada da cidade. Por aqui tudo se cruza, principalmente gente. No início da construção da cidade, por aqui se cruzaram italianos, negros, sírios, portugueses, comerciantes, meretrizes, malandros, alfaiates, macumbeiros, seresteiros, atletas, poetas, escritores,  funcionários públicos, enfim, todo tipo de gente.

 

A essência da Lagoinha sempre receber tudo e todos, e bem. Talvez por isso esse lugar seja mágico e hoje você esteja aqui, porque foi bem recebido.


Sinta-se bem, aqui na Lagoinha.      

 

“Da resistência das negras e negros da pedreira nasce o samba, Todomundosemisturanobonde,

Na Rua Itapecerica, um grito de liberdade é dado e o Leão urge,

Agentes ambientais maltrapilhos não são compreendidos,

Lagoinha, Maria Tomba-Homem, Loira do Bonfim e Cintura Fina, gente que faz acontecer, seja no dia ou anoitecer,

Inspiram o nascimento do Bumbará;

Entidade que faz acontecer enquanto se tem ar pra respirar.”   

 

Lagoinha e seu patrimônio

(Cemitério do Bonfim, Igreja Nossa Senhora da Conceição, Casa da Loba, Antiquário, Copo Lagoinha)

 

Art decó, eclético e moderno não é apenas o estilo da arquitetura presentes nas fachadas da Lagoinha – é a forma que os arquitetos, em sua maioria italianos, usaram para eternizar suas vivências por aqui.

 

Nosso patrimônio edificado é diversificado, tem comércio, residência, igreja, centro de umbanda, terreiro de candomblé, galpão e até cemitério... mas já teve mercado, cinema, feira de amostras, redevú e muitos butiquins.

 

Intercessões, barreiras físicas, falta de luz, fluxos e sensações fazem da Lagoinha hoje um lugar somente de passagem, mas se parar pra observar, a chance de se apaixonar pelo nosso maior patrimônio (as pessoas) é grande.

 

“Na casa da Conceição, todo domingo tem sopro,

Sopro de vida que sempre tem um bom fim;

Bons tempos que resiste ao tempo nos antiquários da Itapecerica; Tempos este que nos faz perguntar: Cadê a loba? Me dá meu copo que já era...”

  

Lagoinha e seus territórios

(As lagoinhas, Complexo Viário, Conjunto IAPI, Pedreira Prado Lopes, Passarela)

 

Quando o urbanista paraense Aarão Reis foi nomeado para fazer o levantamento do local apropriado para a construção da nova capital do estado de Minas Gerais, da Praça da Estação, com um óculos de realidade virtual, ele avistou um lugar ideal para abrigar os arquitetos e quem conseguia pegar no pesado.

No seu plano, aquela região se chamava Sexta Sessão Suburbana. Formada por pedreiras e pequenas lagoas (Daí a origem do nome Lagoinha), aos poucos foi sendo habitada e quando decidiram construir a cidade, foi lá que a primeira estaca foi fincada.

 

“Uns dizem que eram sete, mas hoje se vê complexas vias;

Lugar que cabe muita gente, maior que muitas cidades de Minas,

De lá saíram as pedras, que ao rolar pela Itapecerica, sustentam esse Belo Horizonte;

Antigamente uma coisa só,

Hoje chega pela passarela” 

 

Lagoinha e suas iniciativas

(Armazém nOito, Rolezin, Hortelões, Casas da Lagoinha, Ocupação Pátria Livre)

 

São corações que move esse lugar. Todas iniciativas da Lagoinha são carregadas de perseverança e muita criatividade. Do comércio a iniciativas sociais, sua grande maioria são todas realizadas “na tora produções”, mas porque na tora?


Um bistrô que eu vi um igual na França, na Lagoinha? Como assim? Armazém 8

Passeio turístico guiado na “cracolândia” da cidade? Como assim? Rolezin

Um canteiro agroecológico em plena Av.Antônio Carlos? Como assim? Hortelões da Lagoinha

Um catálogo da história das casas com essa riqueza de detalhes? Como assim? Casas da Lagoinha

Vinte famílias chefiadas por mulheres ocupando um prédio abandonado e o espaço de tornando referência na comunidade? Como assim? Ocupação Pátria Livre  

 

Diz aí, essa Lagoinha está a frente do seu tempo ou não tá hein?

 

Não perca tempo, #vempralagoinha

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